segunda-feira, 17 de julho de 2023

Dispositivos eletrônicos para fumar: alternativa menos prejudicial ao cigarro tradicional ou novo vício?

Proposta de Redação

Dispositivos eletrônicos para fumar: alternativa menos prejudicial ao cigarro tradicional ou novo vício?


Textos Motivadores


Texto I

    Os dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) são novos tipos de produtos de tabaco, lançados no mercado pela indústria há mais de dez anos, e incluem os cigarros eletrônicos, os produtos de tabaco aquecido, e-cigs, pods e vapes. Caracterizam-se por serem equipamentos eletrônicos à bateria utilizados para fumar ou "vaporar". São apresentados em diferentes modelos e sistemas e a maioria contém nicotina, seja por meio líquido ou através do tabaco.
    A nicotina está presente em produtos como cigarros convencionais, cigarrilhas, charutos, cachimbos, narguilés, cigarro de palha, dispositivos eletrônicos para fumar e outros produtos de tabaco. A depender do produto, ela se apresenta em diferentes formas e quantidades. Geralmente, a indústria controla a dosagem de nicotina e realiza manipulações para tornar seus produtos mais viciantes e palatáveis, potencializando efeitos agradáveis, como relaxamento, prazer e sensação de bem estar, e diminuindo as náuseas, tonturas e outros sintomas de intoxicação. 

Adaptado de ACT Promoção da Saúde. Acesso em 17/07/2023.

Texto II

    Proibido no Brasil desde 2009, os cigarros eletrônicos atraem cada vez mais usuários no país. Enquanto isso, nos últimos anos a Europa tem criado normas para regular o consumo, em uma tentativa de diminuir o número de fumantes no continente. A ideia é que as pessoas substituam o tabaco pelo dispositivo, também chamado de vape. Para especialistas, porém, ainda não está claro se essa mudança de fato é benéfica para a saúde e se ela deve ser adotada como política pública.
    Como o mercado é ilegal no país, não há controle de quais substâncias existem dentro dos dispositivos. Apesar da proibição, eles podem ser encontrados em lojas, ambulantes e na internet, com preços que vão de R$60 a R$620. Em 2022, a Anvisa optou por manter a proibição dos produtos. Procurada, a agência disse que pretende abrir uma nova consulta pública sobre o tema até o final do ano.

    Entre março de 2019 e fevereiro de 2020, o CDC (Centro de Controle de Doenças dos EUA) registrou 2.734 pessoas com o diagnóstico de Evali, sigla que remete a uma inflamação pulmonar associada a dispositivos eletrônicos. Foram contabilizadas 68 mortes. Há ainda mais complicações que podem ser causadas pelo uso do vape: doenças cardiovasculares pela nicotina, alergia, asma e inflamações pulmonares. Um dos problemas mais conhecidos é o chamado "pulmão pipoca", nome associado à bronquiolite e que foi inicialmente diagnosticado em trabalhadores de uma fábrica de pipoca de micro-ondas - e que também atinge usuários de vape.


Adaptado da Folha de S.Paulo. Acesso em 17/07/2023.

Texto III

   Um relatório de 1468 páginas encomendado pelo Departamento de Saúde Pública da Inglaterra ao King’s College London concluiu que pessoas que fumam deveriam ser incentivadas a usar cigarros eletrônicos de nicotina para reduzir os danos do tabagismo ou como terapia para parar de fumar.
    A estimativa de que cigarros eletrônicos são 95% menos prejudiciais do que fumar foi estabelecida desde 2015 pelo Governo da Inglaterra após análise da literatura científica da época. Os autores chegaram a esse número considerando que os constituintes da fumaça do cigarro que prejudicam a saúde, incluindo carcinógenos, estão ausentes no vapor do cigarro eletrônico ou, se presentes, estão principalmente em níveis muito abaixo de 5% das doses do fumo, e que os principais produtos químicos presentes apenas nos vaporizadores não foram associados a qualquer risco grave. (...)
    Os pesquisadores lembram que é importante salientar que os cigarros eletrônicos não são produtos isentos de riscos: “Como também afirmamos e reiteramos anteriormente, isso não significa que o vaping seja isento de riscos, principalmente para pessoas que nunca fumaram.”


Texto IV

    Olha, é o seguinte: cigarro eletrônico é cigarro. O que é o cigarro eletrônico? É um dispositivo para administrar nicotina, pra jogar nicotina nos pulmões. E o que é o cigarro comum? A mesma coisa. Um dispositivo para administrar nicotina. A nicotina é a droga que mais vicia, é a droga que mais causa dependência.
    Então, o que fez a indústria? Como ela sentiu que essa onda do cigarro tava saindo fora de moda, o cigarro dá mau hálito, mau cheiro na roupa, ela diz: “Vamos inventar um jeito de viciar os meninos, as meninas e os adolescentes de um modo geral em nicotina, pra eles ficarem usando nicotina pro resto da vida”. Só que fica chato apresentar essas coisas como realmente são, aí eles inventaram essa história de redução de danos.
    Então aquele que quer largar de fumar tem agora uma opção: o cigarro eletrônico. Que não tem alcatrão, que não tem, enfim, as substâncias cancerígenas do cigarro.
    Primeiro, isso não está demonstrado. Segundo, é mentira que o cigarro eletrônico faça você largar do cigarro. O que pode acontecer, na melhor das hipóteses, é você substituir o cigarro comum pelo eletrônico, mas você vai continuar dependente de nicotina.

Adaptado de Drauzio Varella. Acesso em 17/07/2023.


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